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SÃO MÃOS, SÃO FLORES

SÃO MÃOS, SÃO FLORES Com o sangue dou-me à vida, e nas crinas dos Goivos brancos, faço a colheita do sol profundo, como ceifa do centeio maduro, nas mãos. O horizonte distante e límpido, é fonte de eternos poemas, trigais ondeando nos abraços, púrpura de um vento vindouro, são flores. Com o sangue renasço do céu, e nos seios dos cerejais, mergulho os olhos e o rosto, cedilha de seda e frescura, nas mãos. O horizonte é cevada e parede, é cruz e arco-íris, arame farpado cortando o fôlego, como velhas navalhas afiadas, são flores. ------------------------------------------ Poema de Virgilio Guerreiro Lisboa, Portugal Copyright Siga-me no YouTube ----->>>> https://youtu.be/XW70-NgsBAc

SEM PAZ UM DIA

SEM PAZ UM DIA Nos abraços a cor a arte do azul infinito, corações e palavras inacabadas, voam dispersas, por trigais de chuva lanceolada. São alegorias os risos, das ondas do mar, rios de sonhos tresmalhados, agem compactos, nos areais ao sol descansado. Serenas manhãs cinzentas, partem para rumo incerto, levam consigo asas quebradas, pontiagudas, abertas, como facas de lâmina degolada. Cantando rituais perdidos, caminham homens descalços, permanentes em si mesmos, gritam fome sem actos, sobeja apenas ferro petrificado. Sem paz um dia, noite, inverno. --------------------------------------------- Pela paz em todo o mundo! --------------------------------------------- Poema de Virgilio Guerreiro Lisboa, Portugal Copyright

UM DIA APÓS O SILÊNCIO

UM DIA APÓS O SILÊNCIO Um dia após o silêncio, esbate-se no ar o poema. Escuto no ar a solidão, lua fria e escura vestida na pele tingida, sóbria palavra branca, emergente, só de quem declama o amor, imenso. No crepúsculo da escuridão, rua despida e crua, desfolhada seiva ao vento, sem alma nem tréguas, tangente, só como negra flor sem rama, intenso. Nem facas nem punhais, dignificam a dor dos homens. ------------------------------------------------ Autor: Virgilio Guerreiro Lisboa, Portugal Copyright

TALVEZ UM DIA VENHA A SABER

  TALVEZ UM DIA VENHA A SABER Alguma vez fui eu. Nem sei quantas vezes não fui eu. Talvez algum dia nunca tenha sido eu. Quantas vezes deixei as pedras para trás, para escutar a tua voz, retroativa, ecos da tempestade, e da loucura dos vulcões acesos. Ainda não sei quanto de mim sou, nem o orvalho que piso o saberá, nem tampouco as cristalinas águas, que navegam circulares a ti, na descida dos olhos, molhados, ecos de liberdade, das mãos que possuem os dedos presos. Talvez um dia nunca venha a saber, como me fiz pessoa alguma, nem como Deus criou o céu, o conhecimento, o restolho e a ilusão, nos dias tombados, expetativas, ecos de verdade, na esperança que os homens sejam coesos. ------------------------------------------------------------------------ Autor: Virgilio Guerreiro Lisboa, Portugal Copyright

DESEJO PALAVRAS SÁBIAS

DESEJO PALAVRAS SÁBIAS Desejo palavras sábias, na ancestralidade de Alexandria. Todo o poema tem rostos, almas, sentidos, e aromas, textura, mar e sílabas roídas pela inércia do tempo ausente. Desaguam ondas sóbrias, nos dedos que escrevinham obras. Toda a nascente do rio é cosmos, livro, Roma e Atenas, bandeira hasteada como gaivota, Acácia de papel, erva e serpente. Destilo a voz com poemas e árias, na certeza infinita da palavra eterna. -------------------------------------------------------- Autor: Virgilio Guerreiro Lisboa, Portugal Copyright

APRENDER PARA FAZER

  APRENDER PARA FAZER A esperança é a minha, a nossa.  A esperança de que o vendaval  descubra a alma da raiz, e todas as células sejam pulmão, bem como a espera da ceifa, pela foice, pela mão, integrem a voz na língua dos homens. Um dia saberemos que o Colibri é o Poeta das flores de cálice vermelho. O Pensamento é o meu, o nosso.  O pensamento tem a cor do seu encanto,  por céus e pinceladas a pastel, pontos e vírgulas, infinito jardim, e nele pensamos a sede, como início e fim, daquilo que seremos e do que a vontade foi. Se um dia aprendermos a fazer, provaremos o empirismo de John Locke. --------------------------------------------------------------------- Poema de Virgilio Guerreiro Lisboa, Portugal Copyright

AS FOLHAS IAM CAINDO AO CHÃO

  AS FOLHAS IAM CAINDO AO CHÃO As folhas iam caindo ao chão, como àgua que brota das rochas, brisas, e as mãos frias, gretadas, 'in loco', espessas, ásperas, bendito sopro do vento norte. Ao fundo o caminho enlameado, tão negro quanto as nuvens negras, chuvas, e os pés frios, intensas vértebras raiadas de luz. Os olhos das asas do gavião, fruto de Deus, iluminadas tochas, acesas, e tão quentes, quanto insubmissas presas feridas, a bem-dizer solstício de sorte. Ao tempo que é um barco sitiado, um refúgio invernal de horas magras, cruas, e tão ausentes, 'in situ', Rosas, Vénus e Flor de Lótus. ------------------------------------------------------------- Poema de Virgilio Guerreiro Copyright Lisboa, Portugal