SÃO MÃOS, SÃO FLORES
SÃO MÃOS, SÃO FLORES
Com o sangue dou-me à vida,
e nas crinas dos Goivos brancos,
faço a colheita do sol profundo,
como ceifa do centeio maduro,
nas mãos.
O horizonte distante e límpido,
é fonte de eternos poemas,
trigais ondeando nos abraços,
púrpura de um vento vindouro,
são flores.
Com o sangue renasço do céu,
e nos seios dos cerejais,
mergulho os olhos e o rosto,
cedilha de seda e frescura,
nas mãos.
O horizonte é cevada e parede,
é cruz e arco-íris,
arame farpado cortando o fôlego,
como velhas navalhas afiadas,
são flores.
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Poema de Virgilio Guerreiro
Lisboa, Portugal
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