UM DIA APÓS O SILÊNCIO

UM DIA APÓS O SILÊNCIO

Um dia após o silêncio,

esbate-se no ar o poema.


Escuto no ar a solidão,

lua fria e escura

vestida na pele tingida,

sóbria palavra branca,

emergente, só

de quem declama o amor,

imenso.


No crepúsculo da escuridão,

rua despida e crua,

desfolhada seiva ao vento,

sem alma nem tréguas,

tangente, só

como negra flor sem rama,

intenso.


Nem facas nem punhais,

dignificam a dor dos homens.


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Autor: Virgilio Guerreiro

Lisboa, Portugal

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