TALVEZ UM DIA VENHA A SABER
TALVEZ UM DIA VENHA A SABER
Alguma vez fui eu.
Nem sei quantas vezes não fui eu.
Talvez algum dia nunca tenha sido eu.
Quantas vezes deixei as pedras para trás,
para escutar a tua voz,
retroativa,
ecos da tempestade,
e da loucura dos vulcões acesos.
Ainda não sei quanto de mim sou,
nem o orvalho que piso o saberá,
nem tampouco as cristalinas águas,
que navegam circulares a ti,
na descida dos olhos,
molhados,
ecos de liberdade,
das mãos que possuem os dedos presos.
Talvez um dia nunca venha a saber,
como me fiz pessoa alguma,
nem como Deus criou o céu,
o conhecimento, o restolho e a ilusão,
nos dias tombados,
expetativas,
ecos de verdade,
na esperança que os homens sejam coesos.
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Autor: Virgilio Guerreiro
Lisboa, Portugal
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